Estavam no
centro do corredor. Mas quem se importava? Nenhum dos dois. Os amantes apenas
se importavam com aquele momento, como se nada mais no mundo importasse. A dor
nos olhos de um era visível, mas o que sentia era quase palpável. Quando
olhava nos olhos da garota, nada mais era relevante, apenas seus olhos nos dela.
Mas ele não podia. Aquilo estava passando dos limites aceitáveis. Ele estava traindo
sua família! Tirou os olhos dos dela antes que caísse em tentação.
-Não pare
de me olhar... Assim você me maltrata.
-Eu não
posso. Se eu te olhar... eu caio em tentação. –cerrou os olhos.
-Então
caia. Eu não vou reclamar. –sorriu.
-Eu não
posso! Você sabe que não, então porque insiste?
-Porque eu
te amo! E sei que você também me ama! Então, porque resiste?
-Você
também resistiria se estivesse traindo seu próprio irmão.
Ela olhou
fundo nos olhos já abertos do outro e viu a dor que aquelas palavras lhe
causavam. Sentiu as lágrimas se formando em sua garganta e tentou empurrar o nó que estava se formando. Ela sabia do que seu amado falava, mas aquilo lhe doía
tanto...
-E você
pode trair seu próprio coração?
Sentiu
o peso daquelas palavras lhe atingirem como adagas em seu peito. Ele sabia o
que ela sentia... ele era capaz de sentir na própria pele a dor no coração de
sua garota. Queria abraçá-la, queria apertá-la em seus braços e dizer que tudo
ficaria bem, que eles seriam felizes um dia. Mas isso seria sonhar demais...
Nenhum comentário:
Postar um comentário